Educação não é moeda de troca
Cada vez mais a gente se surpreende com as propostas geniais de nosso timoneiro mor, o presidente Lula. Não que ele não tenha direito de se manifestar e expor as suas idéias, afinal é o presidente da República. Mas o "grande estrategista" brasileiro costuma não economizar palavras para divulgar as suas alquimias milagrosas para resolver ingentes problemas nacionais.
Vejam a sua mais recente pérola no campo da educação ao propor de forma enfática que os alunos da 5ª e 8ª séries do ensino fundamental da escola pública, que passarem de ano, sejam recompensados com o prêmio de R$ 270, para reduzir a taxa de evasão e repetência escolar.
O nosso presidente, certamente, acostumado ao jogo político da barganha e do toma lá, dá cá, equivoca-se ao tratar os problemas educacionais de forma tacanha e como moeda de troca. Parece até que o país está nadando em dinheiro e que pode sair por aí a distribuir benesse a seus súditos, como procedeu com o Bolsa Família.
Qualquer cidadão de mediana cultura tem a sensibilidade de entender que condicionar o aproveitamento escolar de um corpo discente mediante a recompensa do pagamento anual de uma quantia em dinheiro não é uma medida pedagógica para se levar avante a educação brasileira. Isso prova o despreparo de alguém que dirige o país, e o que é pior, circundado por pseudo-intelecutuais que o orientam.
O problema educacional brasileiro não pode ser confundido como um jogo político onde os interesses espúrios permeiam as suas relações. A educação deve ser tratada de forma pedagógica, ou seja, como ciência da educação e do ensino, mediante aplicação de políticas públicas sérias, remunerando devidamente o corpo docente, dentro de uma estrutura física escolar em condições necessárias para interagir com o aluno.
Julio César Cardoso
Bacharel em Direito e servidor federal aposentado
CI 394.437
Porto Alegre-RS |