Escolas têm papel importante na prevenção de DST/Aids, diz Mariângela Simão
Brasília - De todos os casos de aids no Brasil, 15% ou 69 mil afetam pessoas com idades até 24 anos.
Como em geral a iniciação sexual dos jovens é entre 14 e 16 anos, as escolas têm papel importante na prevenção da aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis.
A informação foi dada pela diretora do Programa Nacional DST/Aids do Ministério da Saúde, Mariângela Simão, em entrevista ao programa Repórter Nacional Manhã, da TV NBr.
Mariângela Simão citou pesquisa que indica que em primeiro lugar o jovem busca informações na família sobre sexualidade e depois, na escola.
Segundo ela, por essa razão, existe o projeto Saúde e Prevenção nas Escolas, desenvolvido pelos ministérios da Educação e da Saúde, com o apoio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa).
“Não basta o pai ou a mãe não quererem que eles iniciem a vida sexual. Quem decide é o jovem e o que a gente procura passar no projeto Saúde e Prevenção nas Escolas é que ele faça uma opção que seja informada. Se em decidir ter uma vida sexual ativa, que faça isso de uma forma segura. Acho que a escola tem um grande papel e por isso a importância do projeto".
Uma das ações em andamento é a distribuição de preservativos em nove mil escolas do Ensino Médio. De acordo com a coordenadora, uma pesquisa mostram que metade dos jovens alega que não usou camisinha na última relação sexual porque não tinha o preservativo e 10% porque não tinham dinheiro para comprá-lo.
"Não se trata só de botar um cesto na porta da escola e cada um chega e pega o preservativo. Não, tem que ser dentro de uma atividade educativa que se desenvolve na escola”, ela explicou, ressaltando que a distribuição de preservativos nas escolas de ensino médio tem com o apoio de 63% dos pais.
Mariângela Simão também destacou que em muitas escolas temas como saúde sexual e reprodutiva não estão mais restritos às aulas de ciências. “Hoje acho que um dos grandes ganhos que a gente tem é que em mais e mais escolas esses assuntos estão entrando como temas transversais e sendo trabalhas em outras matérias”.
Para discutir essas ações, cerca de 700 pessoas de todo o país devem participar da 2ª Mostra Nacional Saúde e Prevenção nas Escolas, que começa hoje (1º) à noite em Brasília. Até domingo (3) professores, alunos, profissionais de saúde e gestores vão trocar informações sobre experiências escolares bem-sucedidas na área de saúde e prevenção à aids e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis (DSTs).
“A gente está esperando uma grande diversidade de apresentações, é uma mostra do que se está fazendo hoje, quais são as experiências bem-sucedidas e com esse tipo de trabalho a gente espera inspirar novos trabalhos por meio da troca de experiências”, disse Mariângela Simão.